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Meu Doce Limão

"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir" - Amyr Klink

16
Nov17

Café a Dois (Parte II)


Sofia Almeida

Levanto-me da cadeira para te cumprimentar, e sinto o teu perfume, o mesmo cheiro, o mesmo aroma. Sentas-te à minha frente, na cadeira de sempre. O tempo passa mas sabemos sempre os lugares a que pertencemos. Estás mais magro, consigo achar-te mais abatido, olheiras mais definidas, e um ar mais preocupado.
Sorrio, delicadamente e continuo a mexer o café com a colher. Não estou nervosa. Não fiquei com o coração a bater a mil. Não estou a suspirar e consigo perceber que as minhas mãos não suaram. Esta sou eu, firme e serena, confiante mas tranquila. Mas em ti, consigo perceber algum nervosismo. Pegas no jornal que estava em cima da mesa, lês o título em voz alta, e começas a gracejar, fazendo-me sorrir. 

Quebraste o gelo, e começamos a conversa com as coisas mais triviais, o típico: "que tens feito", "tens ido ao ginásio". E quando não queremos falar de nós, falamos dos outros: "soubeste o que aconteceu com fulano" "tens estado com os nossos amigos". A conversa foi-se soltando, fluindo naturalmente, sem perguntas constrangedoras. Até que soltas um "sabes" e fazes uma pausa, olhas para mim, com aquele olhar que eu reconheço mas não sei descrever em palavras. Existem olhares difíceis de traduzir. 

Este teu "sabes" deixou-me desconfortável, e declarou o início da conversa sobre nós. "Tenho pensado muito em nós", contínuas, "tenho pensado no que tínhamos, no quanto eu era feliz e não sabia. Tenho saudades tuas Ana. Não sabes o quanto me arrependo de te ter deixado." Fico atônita. Não esperava encontrar-te tão "nu" e despido de orgulho. Não, quando foste tu que saíste da nossa vida, clamando que não precisavas mais de mim, que estavas saturado, que precisavas de uma vida nova, e que já não me amavas. 
De repente deixo de te ouvir, só consigo ver os movimento dos teus lábios, e na minha cabeça as imagens da tua ida. Começo a sentir as minhas mãos a suar. Ouvir aquelas tuas palavras, viraram-me do avesso. Estive este tempo todo a arrumar o meu coração, e a apanhar todos os estilhaços. Para agora sentires te no direito de voltar a entrar na minha vida, como se nada fosse? 

Deixo-te falar, não te interrompo. Não preciso. “Não tens nada para dizer?” perguntas desesperado. 
“ Não sei o que dizer” - não conseguia verbalizar 
“ Como assim? Não sentes o mesmo? Não queres recuperar o tempo perdido?” 

19
Out17

Café a Dois ( Parte I)


Sofia Almeida

Café a Dois ( Parte I) 

Combinamos às cinco da tarde. Cheguei primeiro e sentei-me na mesa do costume. Engraçado como nós temos sempre aquela mania de fazer dos lugares públicos a nossa casa. Acho saudável esta mania. Faz nos sentir em casa, embora longe. Há lugares que fazem parte de nós. Este era o nosso café, o nosso lugar, a nossa mesa, o nosso cenário. Fazia parte da nossa rotina, da nossa história. " É o melhor café do mundo" - dizias tu com esse teu sorriso que roubou o meu coração. Sentei-me, olhei para o relógio, estavas atrasado. A vida agitada rouba os segundos, os minutos sem darmos conta. Enquanto esperava, pedi o meu café preferido, para aconchegar e aquecer o meu coração que estava frio desde que foste embora. O café, apesar da cafeína, era o que eu precisava para acalmar-me e distrair os meus pensamentos sem pensar no que te havia de dizer. Foste tu que me procuraste, depois destes meses todos da tua ausência. Recusei as tuas chamadas. Não devolvi, sequer. Não abria as mensagens, apagava de imediato. Não queria mais ouvir o teu nome ou a tua voz. Porque havia de querer? Foi na altura em que já estava a habituar-me a tua ausência, que resolveste voltar. Será que percebeste que eu estava a viver a minha vida sem mais em ti? Será que sentiste que já não eras mais sentido por mim? Que mania esta, de que quando, nós estamos finalmente a aprender a viver sem esse alguém, esse alguém volta do nada (..) o café está quente, tento o arrefecer com a colher dando voltas e voltas, e penso nas voltas que a vida dá. Voltar aqui, faz-me sentir nostálgica, as pessoas são as mesmas, o cheiro mantém-se, os doces apetecíveis continuam a piscar o olho. Olho para a janela e consigo ver as ruas cheias de pessoas, de carros, de sinais, o sol brilha, e enquanto todo o mundo vive na agitação, estou serena e a apreciar. Não quero reviver um passado. Aceitei encontrar-me aqui contigo, não porque precise de respostas, mas porque sei viver sem ti. Vagueio nos meus pensamentos, saboreio o travo de canela no café, sinto uma mão no meu ombro. Reconheço este toque. Ouço a tua voz como um eco: " Desculpa, apanhei um trânsito terrível." Sorrio, confiante, respondo serenamente: " Nem dei pelo tempo passar." Confirmo com os meus olhos, que o teu sorriso se mantém. 

 

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(Continua) 

Sofia Almeida

04
Out17

uma história de amor


Sofia Almeida

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Estou em frente a uma nova escolha. Escolho ir ou escolho ficar. Apareceste sem eu contar. No fundo sempre pedi, baixinho, nas minhas preces por alguém como tu. Estou com medo. Não te quero dizer, porque não vais compreender as minhas cicatrizes e dores que tenho guardadas na caixa das memórias. Foram histórias de amor que deixaram marcas para toda uma vida. As marcas que restam são ensinamentos. Agora estou aqui, nas mãos tenho uma decisão, ir ou ficar. Ir viver uma nova história, dar uma chance de viver o amor, ou ficar a viver as minhas cicatrizes e guardar-me para boa me magoar.
Agora estou aqui, perante um novo começo, perante novos abraços, uma nova história, quem sabe o meu grande amor. 
Agora estou aqui, mas com uma bagagem de histórias que não deram certo, com medo de confiar, com receio de falhas, com medo de me enganar em relação a ti.
Agora estou aqui, perante ti, com a futura promessa de te fazer feliz, de fazer valer a pena, de te deixar entrar neste meu mundo que está tão bem protegido. 
Agora estou aqui, quero caminhar em frente, quero escolher ser feliz, sem medos, sem receios, sem preocupações. 
Quero e preciso de voltar a acreditar no amor. 
Preciso que me faças acreditar, preciso que me tires este medo que tenho de me entregar.

Sofia Almeida

 

23
Ago17

Onde houver amor, deixa-te ficar


Sofia Almeida

Onde houver amor deixa-te ficar. 
Onde houver abraços sinceros, beijos prolongados deixa-te ficar.
Onde houver palavras que confortem, conversas de verdade deixa-te ficar. 
Onde houver paz, tranquilidade e o conforto deixar-te ficar.
Onde houver sol, pessoas que aqueçam o teu coração, deixa-te ficar. 
Onde houver olhares que se importam, perguntas que valem a pena responder, deixa-te ficar.
Onde houver esperança, deixa-te ficar.

Sofia Almeida

Meu Doce Limão

 

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21
Ago17

"Enquanto alguns escolhem pessoas perfeitas, eu escolho as que me fazem bem."


Sofia Almeida

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"Enquanto alguns escolhem pessoas perfeitas, eu escolho as que me fazem bem."

Li isto algures, e faz todo o sentido. Faz sentido não escolher as pessoas perfeitas, mas sim as que me fazem bem.

Quando me desprendi de todos aqueles que nada acrescentavam, foi aí que a vida começou a fluir. Escolhi ser feliz e dá trabalho, não é fácil. Requer esforço e dedicação. Por vezes nos não vemos a escada inteira. Só vemos o primeiro degrau. Hesitamos. Mas nós só temos que dar o primeiro passo. O primeiro passo é o que mais importa para tudo começar. Quando caminhares, o caminho vai aparecer. 

 

 

Sofia Almeida

21
Ago17

ela...


Sofia Almeida

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"Mereces um amor para a vida"
Disse ela, entre soluços, entre lágrimas. Levantou-se do sofá. Abriu a janela. Deixou o sol entrar. Repetiu para si mesma: " Mereces um amor para a vida."

Era segunda-feira. Para trás tinha deixado o fim-de-semana. Para trás dia que lhe mudou a vida. Para trás hora que "virou a mesa". Acabou com a história que se arrastava ao longo do tempo.

Amava por dois. E esse fardo foi ficando pesado ao longo do tempo. Os dois deviam segurar aquele amor que foi prometido. Não, sozinha. Sozinha. 
Haverá dor maior do que perceber que a história estava a chegar ao fim? Haverá dor maior do que perceber que se ama sozinha?

As manhãs já não eram brindadas com aquele bom dia de sempre. As mensagens foram deixando de existir. Só respostas curtas. Sem reticências. Apenas ponto final. As surpresas deixaram de existir. Os jantares a dois passaram a ser só para um. Não havia tempo. Não havia espaço. Não havia sintonia. Não havia conversa.

Os carinhos já não existiam. Os atrasos eram constantes. Os abraços eram miragem. As discussões eram rotina. O desentendimento era maior que o envolvimento. Não havia mais. 
Ela ainda implorou. Ainda tentou fazer o impossível. Reanimar o que já tinha morrido. Ainda tentou continuar quando a vontade era desistir. E apesar de saber que já não havia solução. Ainda tentou e re-tentou.

Mas chegou o dia, que decidiu desistir pelos dois e continuar por ela. Pois ela merecia um amor para a vida: o dela.

Sofia Almeida

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